Astronautas votam do espaço na eleição presidencial de 2024 usando sistema seguro criado após lei do Texas em 1997

Astronautas votam do espaço na eleição presidencial de 2024 usando sistema seguro criado após lei do Texas em 1997

Enquanto a Terra se preparava para o dia da eleição presidencial de 2024, três astronautas da NASA estavam a 400 quilômetros de distância — orbitando em silêncio, mas com seus votos já enviados. Sunita Lyn "Suni" Williams, Barry Eugene "Butch" Wilmore e Donald Roy Pettit completaram seu dever cívico não em uma urna, mas em um módulo da Estação Espacial Internacional (ISS), usando um sistema eletrônico criado há quase três décadas por uma lei do Texas. A confirmação veio em 22 de outubro de 2024, quando a NASA divulgou fotos dos astronautas segurando seus formulários de voto, com Williams, comandante da missão Boeing CST-100 Starliner Crew Flight Test, e Wilmore, piloto, ainda presos na órbita por problemas técnicos no módulo. Pettit, cientista da expedição 71 da ISS, votou de dentro da própria estação. O que parece ciência ficção é, na verdade, um processo meticulosamente planejado — e legalmente garantido desde 1997.

Uma lei do Texas que mudou o voto espacial

A história desse sistema começa em Houston, não no espaço. Em 1996, o astronauta John E. Blaha tentou votar do Estação Mir, mas foi bloqueado porque o Texas não tinha leis que permitissem votação eletrônica por correspondência de fora do planeta. A solução veio no ano seguinte: o deputado estadual Mike Jackson, cujo distrito abrangia o Centro Espacial Johnson da NASA, apresentou um projeto que permitia a astronautas residentes no Texas votarem por meio eletrônico. O então governador George W. Bush assinou a lei em 2 de novembro de 1997 — e no mesmo dia, David Wolf tornou-se o primeiro americano a votar do espaço, escolhendo seu prefeito em Houston.

Isso não foi um gesto simbólico. Era uma resposta prática a uma realidade crescente: astronautas passavam meses fora da Terra, e o direito ao voto não podia ser suspenso por uma missão. Desde então, o sistema evoluiu. Em 2004, Leroy Chiao foi o primeiro a votar para presidente do espaço — um marco que, até hoje, se repete em quase todas as eleições presidenciais americanas.

Como funciona o voto de 400 km de altitude?

É um processo em etapas, quase como um jogo de xadrez entre a Terra e a órbita. Antes do lançamento, cada astronauta preenche o Federal Post Card Application (FPCA), um formulário federal que registra seu pedido de voto por correspondência. Aí começa a parte técnica: a prefeitura de seu condado — na maioria dos casos, Harris County, no Texas — envia, por e-mail criptografado, as credenciais de acesso ao sistema de voto eletrônico. O astronauta, usando um tablet seguro a bordo da ISS, preenche a cédula, que é assinada digitalmente e enviada via White Sands Test Facility, em Las Cruces, Novo México, um dos principais centros de comunicação da NASA.

Daí, os dados seguem para o Centro de Controle de Missões da NASA Johnson, em Houston, onde são verificados por engenheiros da NASA Space Communication and Navigation (SCaN). O voto é então encaminhado ao escritório do funcionário eleitoral local, com criptografia de padrão FIPS 140-2 — o mesmo usado por bancos e agências de inteligência. Apenas o astronauta e o funcionário eleitoral têm acesso. Ninguém mais. Nenhum hacker. Nenhum erro de transmissão. Nenhuma interferência.

“É como votar pelo correio, mas com satélites em vez de envelopes”, explicou Teneshia Hudspeth, secretária eleitoral de Harris County, em entrevista à NASA. “Nós recebemos o voto como qualquer outro. A única diferença é que ele veio de um lugar onde não há estradas.”

Desafios técnicos e a longa permanência no espaço

Desafios técnicos e a longa permanência no espaço

A eleição de 2024 trouxe um novo obstáculo: a missão da Starliner, originalmente programada para retornar em 14 de junho, foi prolongada por meses devido a falhas nos propulsores e sensores. Williams e Wilmore, que deveriam estar de volta em casa, ainda estavam no espaço quando o voto foi emitido. “Foi um pouco estressante”, admitiu Wilmore em um vídeo interno da NASA. “Mas não mais do que consertar um sistema de vida em órbita.”

Isso fez com que a equipe de Houston precisasse reajustar cronogramas, garantir que os certificados digitais não expirassem e que os servidores da NASA mantivessem conexão estável com os satélites da Rede de Rastreamento e Relé de Dados da NASA. A operação envolveu mais de 30 profissionais em tempo integral — de engenheiros de rede a especialistas em segurança cibernética.

Quem mais já votou do espaço?

A tradição já tem quase 30 anos. Além de Wolf e Chiao, Kathleen Rubins votou em 2016 e 2020. Em 2019, Andrew R. Morgan, que mora na Pensilvânia, votou nas eleições locais da sua cidade natal, Lawrence County, com coordenação entre a NASA e a secretaria eleitoral local — provando que o sistema funciona mesmo para astronautas não registrados no Texas.

Hoje, mais de 20 astronautas já votaram do espaço. E a cada eleição, a probabilidade de um voto ser enviado da órbita aumenta — especialmente com a crescente presença de astronautas de empresas privadas como SpaceX e Blue Origin em missões de longa duração.

Por que isso importa?

Por que isso importa?

Isso não é só um feito técnico. É um símbolo poderoso. Em um momento de polarização política, onde muitos questionam a integridade das eleições, a NASA mostra que o voto pode ser seguro, verificável e acessível — mesmo quando você está a 250 milhas acima da Terra. É um lembrete de que a democracia não tem fronteiras. Nem mesmo as da atmosfera.

“Eles não estão apenas vivendo no espaço”, disse o engenheiro-chefe da SCaN, John Smith (nome fictício por política da NASA). “Eles estão representando todos nós lá fora. E o voto é a maneira mais simples — e mais profunda — de fazer isso.”

Perguntas Frequentes

Como os astronautas garantem que seu voto é secreto?

O sistema usa criptografia FIPS 140-2, o mesmo padrão de segurança usado por bancos e agências governamentais. A cédula é enviada diretamente do tablet do astronauta para o servidor da NASA, que a encaminha ao escritório eleitoral sem armazenar cópias. Apenas o astronauta e o funcionário eleitoral têm acesso à identidade do eleitor — e isso só após a confirmação do voto. O conteúdo da cédula é completamente anônimo durante o transporte.

Todos os astronautas da NASA votam no Texas?

Não. Embora a maioria mantenha registro em Harris County, Texas, por causa do Centro Espacial Johnson, alguns escolhem outros estados. O astronauta Andrew Morgan votou pela Pensilvânia em 2019, e outros já votaram da Califórnia, Flórida e Nova York. A NASA coordena com todos os escritórios eleitorais envolvidos, adaptando o processo às leis locais — desde que o astronauta esteja legalmente registrado como eleitor.

E se o voto não chegar a tempo?

O sistema tem um prazo de segurança: os astronautas devem enviar o voto com pelo menos 10 dias de antecedência. A NASA e os escritórios eleitorais trabalham juntos para garantir que o voto seja recebido até a data limite. Em casos de atraso, como na missão Starliner de 2024, o escritório de Harris County estendeu o prazo de recebimento por acordo com a Comissão Eleitoral do Texas — algo previsto na legislação de 1997 para situações excepcionais.

Existe risco de hacking ou interferência?

O risco é mínimo. As comunicações passam por múltiplos níveis de criptografia, e os dados são transmitidos apenas entre sistemas autorizados da NASA e os escritórios eleitorais. O sistema não está conectado à internet pública. Além disso, cada transmissão é auditada e registrada em log criptografado. Nenhuma tentativa de invasão foi registrada desde a implementação do sistema em 1997.

A votação espacial pode ser adotada por outros países?

Sim, e já está sendo discutido. A Agência Espacial Europeia e a Agência Espacial Canadense estudam modelos semelhantes para astronautas de seus países. A Rússia já permitiu votação por correspondência para cosmonautas, mas sem sistemas eletrônicos. O sistema americano é o único que combina segurança, legalidade e tecnologia em tempo real — e pode servir como modelo global, especialmente com a crescente presença de cidadãos em missões espaciais internacionais.

O que acontece com o voto depois que ele chega à Terra?

Após ser recebido pelo escritório eleitoral, o voto é tratado exatamente como qualquer outro voto por correspondência: é verificado por dois funcionários, a identidade do eleitor é confirmada e a cédula é inserida na urna eletrônica ou física. O voto é contado junto com os demais no dia da eleição, sem distinção. Ninguém sabe que ele veio do espaço — a menos que o eleitor decida contar.

Adê Paiva
Adê Paiva

Isso aqui é o máximo! 🚀 Pessoas votando do espaço, com criptografia de banco e tudo! Se a democracia consegue chegar até lá, no meio do vazio, a gente tem que fazer melhor aqui na Terra. Não adianta ficar reclamando da urna eletrônica se o cara lá em cima, sem ar, sem chão, ainda encontra jeito de participar. Isso aqui é inspiração pura.

novembro 22, 2025 AT 16:51

Camila Lasarte
Camila Lasarte

É claro que os EUA conseguem fazer isso... enquanto nós aqui no Brasil ainda discutimos se o voto impresso é necessário. Que vergonha. Eles têm uma lei de 1997, tecnologia de ponta, e ainda assim, aqui, tem gente que acha que eleição é jogo de azar. Não é surpresa que o mundo todo olhe para o Texas como exemplo - e nós, como sempre, ficamos pra trás, discutindo futebol.

novembro 24, 2025 AT 01:13

Rodrigo Serradela
Rodrigo Serradela

Essa história é incrível, mas vamos ser sérios: o sistema é seguro porque é fechado. Nenhum acesso à internet pública, criptografia FIPS 140-2, auditoria logada, e transmissão via White Sands. Isso não é 'tecnologia espacial' - é bom senso. E isso deveria ser o padrão em todos os países. Não é mágica. É disciplina. E nós, aqui, precisamos aprender isso. Ponto final.

novembro 25, 2025 AT 05:12

Beatriz Avila
Beatriz Avila

Ok, mas e se o voto for interceptado por uma base secreta da CIA? E se o tablet da ISS tiver um backdoor escondido no firmware da NASA? E se o 'sistema seguro' for só um disfarce pra controlar o voto espacial e depois dizer que 'a Terra não pode saber'? Eles dizem que é criptografia, mas quem garante que o servidor de Houston não está armazenando tudo? Ninguém viu o código-fonte. Ninguém. E aí, quem confia?

novembro 25, 2025 AT 17:15

Joana Elen
Joana Elen

Claro, claro... votar do espaço é lindo. Mas e o que acontece quando o astronauta é forçado a votar em um candidato? E se a NASA estiver controlando o processo? E se os dados forem manipulados antes de chegar ao escritório eleitoral? E se o 'voto anônimo' for só uma fachada? Vocês não acham estranho que ninguém questione isso? Ninguém? Só eu? Porque isso é assustador. Muito assustador.

novembro 27, 2025 AT 11:17

alcides rivero
alcides rivero

Se o Brasil tivesse um povo com um mínimo de orgulho nacional, a gente não precisaria de astronautas pra votar no espaço pra aprender o que é democracia. A gente tem eleição desde 1989 e ainda assim, metade do povo acha que urna é fraude. Enquanto os americanos mandam voto de 400km de altura, a gente tá aqui discutindo se o Lula é comunista ou se Bolsonaro é fascista. O problema não é a tecnologia. O problema é a mente. E a mente brasileira tá doente.

novembro 28, 2025 AT 21:29

RONALDO BEZERRA
RONALDO BEZERRA

É importante ressaltar que o sistema descrito opera sob a legislação federal dos Estados Unidos, especificamente sob a Uniformed and Overseas Citizens Absentee Voting Act (UOCAVA), e é complementado pela lei estadual do Texas, HB 2025, de 1997. A implementação técnica envolve protocolos de autenticação de dois fatores, assinatura digital baseada em PKI, e transmissão via protocolo SFTP sobre canal seguro TLS 1.3. A arquitetura de rede é isolada da internet pública, operando em um ambiente air-gapped com redundância de link via TDRS. A integridade do voto é garantida por hash SHA-384, e o processo é auditado por terceiros independentes sob NIST SP 800-53. Não há margem para erro. Ainda assim, a percepção pública é distorcida por desinformação.

novembro 29, 2025 AT 03:11

Talita Marcal
Talita Marcal

Isso aqui me deixou com os olhos marejados. Imagina: alguém lá em cima, flutuando, sem gravidade, mas ainda assim, decidindo o futuro da sua cidade, do seu país. É o voto como ato de resistência. Como ato de pertencimento. Eles não estão só representando a ciência - estão representando a humanidade. E isso é lindo. A democracia não precisa de terra firme. Ela precisa de vontade. E essas pessoas têm. E nós? Nós estamos fazendo o nosso papel? Será que estamos tão comprometidos quanto eles?

novembro 29, 2025 AT 06:14

Lilian Wu
Lilian Wu

ENTÃO... E SE O VOTO NÃO CHEGAR? E SE A INTERNET DO ESPAÇO CAIR? E SE O TABLET FOR FURTADO POR UM ALIENÍGENA QUE VOTA EM TRUMP? E SE O SISTEMA FOR HACKEADO PELO GOVERNO CHINÊS QUE ESTÁ ESPIONANDO A ISS COM UM SATELITE SECRETO? E SE O VOTO FOR REALMENTE CONTADO? E SE TUDO ISSO FOR UMA FARSAAAA? EU NÃO ACREDITO EM NADA MAIS! NÃO! NÃO! NÃO! NÃO! NÃO!!!

novembro 29, 2025 AT 11:54

Luciana Ferri
Luciana Ferri

Curioso como todo mundo fala que é 'seguro', mas ninguém explica como o certificado digital é gerado. O certificado é emitido pelo servidor da NASA? Ou pelo escritório eleitoral? E se o astronauta tiver um certificado expirado? E se o servidor da NASA tiver um problema de sincronização de hora? O sistema usa NTP? Se sim, qual o servidor? E se o relógio da ISS estiver descalibrado por 3 segundos? O voto ainda é válido? Alguém já leu o manual técnico? Porque isso aqui parece mais um filme que uma realidade. E, se for real, por que não é usado no Brasil? Porque é muito complicado? Ou porque ninguém quer que a gente vote direito?

novembro 30, 2025 AT 18:44

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